MBZ Fomitiporia nubicola 2.0

Securing the Future: Field Monitoring and Ex-situ Conservation of the Critically Endangered Fungus Fomitiporia nubicola from the Cloud Forests

Na foto, um basidioma de Fomitiporia nubicola nas Florestas Nebulares de Santa Catarina.

Fomitiporia nubicola é um fungo endêmico das Florestas Nebulares do Brasil e parasita de um gênero de árvores característico desta vegetação, Drimys angustifolia, uma espécie endêmica e relictual encontrada em ecossistemas de alta elevação. Essas florestas de altitude, que variam principalmente de 1.000 a 2.000 metros acima do nível do mar na Serra Geral, formam um microclima único com baixas temperaturas e a presença de nuvens, e fragmentos maduros nessas condições garantem as condições  para a sobrevivência do fungo. Essa relação com o ambiente úmido e nublado originou o nome da espécie: nubicola, que significa “habitante das nuvens”. Essas florestas representam apenas cerca de 1% das florestas mundiais no Brasil e são caracterizadas por pequena extensão geográfica e fragmentação natural, tornando-as um dos ecossistemas mais suscetíveis às mudanças climáticas.

Inicialmente, a Fomitiporia nubicola foi classificada como Vulnerável (VU). Graças ao suporte de  Mohamed bin Zayed Species Conservation Fund (MBZF), em um projeto anterior, o MIND.Funga realizou investigações para melhor entender a biologia da espécie. Naquele projeto foram realizados levantamentos de campo em áreas potenciais de sua ocorrência, fornecendo dados adicionais que levaram a sua reclassificação para Criticamente Ameaçado na lista vermelha global de espécies ameaçadas da IUCN em 2022. Ou seja, a espécie foi reconhecida como tendo uma distribuição muito mais restrita do que se esperava e os requisitos básicos para sua sobrevivência precisam ser melhor compreendidos para ter planos de ação estratégicos para sua conservação. O habitat  de espécies está sob forte influência das mudanças do clima e de atividades humanas como pastoreio de gado, queimadas e mudança no uso da terra, resultando em um declínio contínuo da vegetação e das vidas interconectadas, bem como de recursos chave como a água.

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O objetivo do presente projeto é outro. Fornecer suporte para a conservação da espécie criticamente ameaçada F. nubicola. Os objetivos incluem:

  • Monitorar a espécie in-situ e seu hospedeiro. Isso envolve estudar o alcance da única subpopulação conhecida, que fica no Parque Nacional de São Joaquim (PNSJ), para melhor entender os limites de sua distribuição. Pelo menos 30 indivíduos de F. nubicola estão marcados e georreferenciados. Levantamentos de campo estão sendo conduzidos a cada dois meses para monitorar o crescimento dos basidiomas e a evolução da decomposição de seu hospedeiro.
  • Continuar explorando potenciais sítios de ocorrência fora do PNSJ para identificar novas populações e indicar locais para conservação.
  • Fazer conservação ex-situ in vitro de F. nubicola. Estão sendo extraídas pequenas porções do himenóforo dos espécimes para inoculação e isolamento in-vitro. As culturas estão sendo submetidas a várias técnicas de preservação para avaliar sua viabilidade e prepará-las para produção futura de “spawn” e atividades de reintrodução. Isso garantirá a preservação da diversidade genética da espécie.
  • Entender os requisitos biológicos e ambientais da espécie, sua fenologia e tempo de geração.

Após a conclusão do projeto, o próximo passo para a conservação da espécie envolve colaborar com o governo para estabelecer políticas que protejam o ecossistema da Floresta Nebular e garantam a proteção sustentada de F. nubicola. Isso inclui o uso dos dados coletados para ações de conservação, promoção do entendimento científico e aumento da conscientização pública e científica.

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Histórico e contexto

O grupo de pesquisa MIND.Funga da UFSC tem estudado F. nubicola desde 2011. A espécie foi descrita formalmente como nova em 2020. F. nubicola já foi espécie foco em um projeto anterior do MBZ (número 202524755), que permitiu obter novos dados para entender melhor o tamanho e tendências da população da espécie, levando à sua reclassificação para Criticamente em Perigo. O projeto anterior estimou a distribuição potencial do fungo, mas expedições de campo não encontraram sítios adicionais, e nenhum espécime foi coletado no sítio menor, Eremitério Frei Egídio Hill (EFEH). Eventos com a comunidade local foram realizados para aumentar a conscientização sobre a conservação.